às figueiras

Ah! quando havia campos e a gente ía descalços por aí fora surripiando uns tantos, quentes do sol que lhes dava apesar do fresco das folhas espalmadas escondendo-os como se fossem filhotes.
Ai figueiras da minha juventude! carcomidas, mortas de velhice muitas, e outras arrancadas em nome de cimentos, estradas que nem levam tão longe como levavam aqueles caminhos em que elas faziam, rasteiras, uma sombra nas nossas idas e vindas entre sonhos.
Ai figueiras tresmalhadas que ainda assomam solitárias de um passado!
Figueiras velhas, braçajotas, lampas, inchárias... e as simples figueiras prenhes de figo miúdo, figo verde escondendo rubros: figuinhos para secar na esteira para fazer os santinhos...
Comentários
um outro produto da figueira é o caracol, não sei qual mais aprecio, se o da figueira se o da amendoeira.
terão sido eles, sim! talvez aquele que se aloja debaixo da Figueira da Pria da Luz em noites de lua e de sueste
Tou prái virada, sim: na escrita de uma loa à figueira que restou junto da praia - uma coisa que de repente me seja doada: assim eu saiba colocar em palavras!
e lôa ...
gosto do post. em posia kitschunga seria: "aos figos, às figueiras, e respectivas caganeiras"
Já estou a sentir a vantagem gourmet no pé descalço, ficamos mais próximos da terra e dos deuses e deusas destas coisas...
Tenho de ir ao figo um dia destes...
E então pra quando, a caracolada?
e, já agora... com figos lampos...
de sobremesa!...
de caracóis não percebo nada, são rápidos demais para mim. quando combinarem alguma coisa, avisem.