O FIGO
......... FIGOS :: LAMPOS ....................................................................................................... Aí está a época do figo! O figo! Esse, assim chamado fruto, filho da Ficus Carica , da família nobre das Moraceae . Na verdade, em termos botânicos, o figo é um receptáculo de flores, não propriamente um fruto, a que dão o nome de síncone. Dizem que já na Idade da Pedra eram apreciados e cultivados por cá, embora sejam originários da Mesopotâmia, Pérsia e zonas arábicas voltadas para o Mediterrâneo. A figueira, nesses tempos, era considerada uma árvore sagrada, talvez porque foi com folhas de figueira (abundantes na região), que Adão e Eva tapavam as suas vergonhas!... Eurico Veríssimo, um grande escritor brasileiro, comenta, a este respeito, que a fruta do Paraíso tinha de ser o figo, não a maçã, e que ao desobedecer a Deus, os fundadores da Humanidade, perderam o paraíso, mas ganharam a mortalidade e o sexo, e inauguraram a indústria do vestuário! Na reali...
Comentários
;D
"Môce... é só letrazzz, letrazzzz... bonecos, nada!
mas nem imaginam a poesia pela qual troquei esse bocado!!!
tardes
- Uns cabelos lisos que nem lençol na corda.
Assim dizia a mãe a quem a ouvisse.
E repetia: uns cabelos lisos os da minha filha.
Deslizava o pente, desempeçando.
Horas atrás de horas. Sentadas em poiais de porta.
Cada uma seu pente, sua filha, sua resma contada de palavras.
Se diziam de uma a cada outra, numa conversa pausada.
Silêncio. Palavra. E mais silêncio.
Falas de palavras e nadas. Falas nos espaços desouvidos.
E o cabelo alisado pelo pente talhado em osso de chifre.
O sentido falado nos não ditos.
A junção dos silêncios, dizendo.
Penteando os cabelos.
Nem sempre tão lisos, nem sempre tão brilhantes. Nem sempre tão embaraçados.
(Desgrenhados, piolhosos, garotávamos entre as pernas delas num à socapa que se eternizava tal o escorrer das sombras no chão de terra, tal o gatinhar dos dedos delas devassando.)
Olhavam por entre os fios, nem sempre sedosos, nem sempre longos. Emaranhados.
Puxavam. Perscrutavam.
Olhavam entre cada dois fios separados por dedos hábeis.
Aconchegavam o pente nos cabelos. Nos seus. Era um aguardando.
Tarde era até se dar a luz do sol.
Não se pense. Não eram tardes de afagos.
Eram tardes de trabalho e arte. Dolorosas tardes.
Tardes de silêncios largos, entrecortados de salpicos de sílabas, uma ou outra palavra.
As tardes longas de catar os bichos à luz das tardes.
Mena